21 de fev. de 2012

CARNAVAL EM 1.970


     Em 1.970 o desfile das escolas de samba acontecia na Av. São João, no centro da cidade de São Paulo e grandes escolas de São Paulo por lá apresentavam seus componentes em maravilhosas evoluções.
      O único canal de TV que falava algo sobre o desfile era a TV Cultura e algumas emissoras de rádios, e nós assistíamos com muita curiosidade na nossa TV Videobel em preto e branco.      Existia uma brincadeira que nós adorávamos que consistia em jogar água nas pessoas através de multicoloridas bisnagas de plástico e nem sempre era compreendida por alguns adultos e lembro-me de surras memoráveis que mamãe aplicava com suas temidas varas de marmelo porque algum vizinho não adepto da brincadeira vinha reclamar que estava todo molhado e eu tinha sido o autor da brincadeira. Apanhava e voltava a espirrar água nos vizinhos e corria gargalhando, afinal era Carnaval e valia tudo, até duas ou três surras no mesmo dia.      Após o desfile das escolas de samba o resultado era anunciado sempre sobre grandes protestos das escolas rivais e os Jornais estampavam a Escola Campeã sempre dando grande destaque aos minúsculos trajes de belas passistas.      Nós garotos da época adorávamos as fotos e ficávamos vários minutos em frente da banca de jornal do nosso bairro apreciando os jornais a beleza que era o Carnaval e imaginando: Que Maravilha que é este nosso País! Quantas mulheres lindas e seminuas, até que o jornaleiro acabava com nossa curiosidade, recolhendo o jornal e pedindo gentilmente para irmos embora.      No sábado posterior ao Carnaval nós moradores da zona leste da cidade de São Paulo ganhávamos um maravilhoso presente que era um desfile da escola de samba Nenê de Vila Matilde pelas ruas do bairro da Vila Matilde somente para os moradores e curiosos.       Neste dia, Lalá que morava na Vila Esperança fazia questão de levar-nos, para assistir o desfile do muro da sua residência. Era lindo ver todos os muros das residências repletos de pessoas com confetes e serpentinas para arremessar nos integrantes da escola de samba.       Os primeiros tambores, tamborins, cuícas, reco-recos, eram ouvidos, era hora de ajeitar-se o mais confortavelmente em cima do muro e ficar olhando o final da rua onde a Comissão de frente já ensaiava os primeiros passos e lá vinha a fantástica e imponente Escola de Samba Nenê da Vila Matilde, que naquele ano tinha sido campeã do Carnaval Paulistano      O coração disparava e imediatamente colocava todos as serpentinas e confetes ao lado para arremessar nos componentes da escola.        Os olhares encantadores, os passos perfeitos do Mestre Sala e da Porta-Bandeira emocionava a todos e os primeiros confetes e serpentinas eram arremessados e sempre eram agradecidos com gestos dos integrantes de abaixar a cabeça e curvar o corpo para frente. Um bailar encantador, maravilhoso, sublime.        As alas iam apresentando-se com perfeita harmonia e víamos bem pertinho mulheres maravilhosas em minúsculos trajes e homens em cima de enormes carros alegóricos, Ala das baianas e nossa alma ia enchendo-se de Felicidade. Muitos gritos eram ouvidos e saudações e palmas misturavam-se com o maravilhoso som da bateria da Nenê.         O Senhor Nenê, que era presidente da escola fazia questão de colocar todos os componentes da escola de samba pelas ruas estreitas da Vila Matilde e vinha sempre na frente agradecendo a todos a nossa presença com gestos, curvando o corpo para frente e tirando o chapéu em agradecimento. Gesto maravilhoso e inesquecível.         A apresentação da passagem da Escola de Samba pela rua da casa do Lalá, na Vila Matilde foi o que guardei e ainda guardo com tanto carinho de todos os Carnavais já vividos ao longo dos meus 56 anos de idade. Viva o Carnaval! Salve todas as Escolas de Samba! Em especial a Nenê da Vila Matilde. Obrigado a todos por proporcionar grandes momentos na minha vida! Muito lindo! Belas recordações do carnavais Paulistano de outrora.

20 de fev. de 2012

SÁBADO NO CLUBE


A Felicidade às vezes resume-se em alguns minutos que marcam tanto nossa memória que jamais esquecemos. Eu era garoto, tinha 15 anos de idade, trabalhava como office-boy numa Companhia de Seguros no centro de São Paulo e nos finais de semana adorava ir a um clube na Mooca, chamado Centro Educacional da Mooca. Lá a diversão era garantida pelo complexo de três enormes piscinas que proporcionavam a alegria de tantos garotos e garotas dos bairros da periferia.
      Aos sábados, levantava-me bem cedinho, tomava um demorado banho, alimentava-me com deliciosas rabanadas preparadas por mamãe, colocava meu short jeans, camiseta regata, chinelo havaiana e seguia assobiando até o ponto de ônibus mais próximo de casa.
      O Sol enchendo o dia de alegria penetrava pelas janelas do coletivo dando sinais que o dia seria maravilhoso. Descia na Av. Radial Leste, passava na banca de jornal e comprava uma revista chamada “POP” e o jornal O Pasquim e seguia alegremente até o clube da Mooca.
      O bom dia ao porteiro era espontâneo e carregado de “Muito Obrigado por existir aquele clube maravilhoso”.
      Sentava-me nas macias e confortáveis poltronas de uma enorme sala de descanso, folheava a revista POP e encantava-me com fotos de praias maravilhosas, lugares encantadores e hippies andando pelo Mundo. Viajava nas páginas e ficava imaginando a alegria daqueles fotógrafos, jornalistas em fazer uma viagem tão linda.
      O tempo ia passando e as pessoas iam vagarosamente chegando ao clube, porque sábado era e ainda é um dia propício para dar espaço para a alma e fazer tudo com mais calma.
      Às vezes quando estava lendo um artigo da revista ou do Jornal, ficava tão compenetrado que esquecia que estava num clube e só ouvia os cantos dos pássaros saudando o dia maravilhoso.
      De tanto freqüentar o clube, consegui uma namoradinha chamada Rebeca, a mesma morava na periferia e freqüentava o clube assiduamente todos os finais de semana.
      A beleza de Rebeca era indescritível, era morena, cabelos longos, olhos verdes e adorava ler; a leitura foi um bom começo para o inicio do nosso singelo relacionamento.
      Sempre que Rebeca chegava ao clube, entrava sorrateiramente e sentava-se ao meu lado, às vezes nem percebia a presença da garota, mas o perfume que ela usava invadia meu olfato e denunciava sua presença e ela dizia calmamente:
-  Nossa, este artigo que você está lendo deve ser muito bom, pois nem percebeu minha presença!
Um pouco envergonhado, levantava-me e dava um carinhoso beijo na sua face e pedia mil desculpas pela distração. Ela sorria, abraçava-me e íamos tomar um delicioso café na cantina do clube.
       Lá pelas 10 horas entrávamos na piscina e ficávamos apreciando o que existia de mais encantador: O Sábado, a piscina e o lindo sorriso da minha querida namoradinha chamada Rebeca.

19 de fev. de 2012

CONCURSOS



        Desde os dezoito anos de idade participo de Concursos, já passei em vários e já levei “bomba” em outros, mas o que aconteceu comigo recentemente merece ser descrito.
        Mudei-me de São Paulo para Jacareí-Sp e fiquei um bom tempo sem nenhuma atividade, apenas vendendo alguns salgadinhos esporadicamente, até que resolvi candidatar-me em alguns concursos aqui da região: Inscreví-me para o cargo de Assistente de Serviços Municipal, cargo de uma remuneração singela, para trabalhar em Posto de Saúde, fiz a prova e fiquei na posição 190. Jamais iria ser chamado, pois existiam apenas 10 vagas. Logo em seguida prestei outro concurso para Agente Comunitário, fiquei na posição 26, também não deu, pois existiam apenas 20 vagas e logo em seguida tranquei-me num quarto durante três semanas e resolvi passar em primeiro lugar num Concurso do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), uma autarquia da Prefeitura de Jacareí. Estudava dia e noite para passar nos primeiros lugares. Fiz a prova e gabaritei e fiquei aguardando a classificação, ela veio e fiquei em segundo lugar.
        A Felicidade e a ansiedade andavam juntas e fiquei aguardando ser chamado para assumir o cargo quando inesperadamente chamaram-me para admissão outro cargo, o de Agente Comunitário, fiquei na dúvida e quando já estava quase tudo definido, exames médicos feitos para Agente Comunitário, eis que surpreendentemente recebo uma ligação chamando-me para admissão no cargo de Assistente de Serviços Municipal, isto tudo ao mesmo tempo.
        A dúvida invadiu minha alma e tive que desistir de dois e ficar apenas com um, optei por ser Agente Comunitário e poder encerrar minha vida profissional ajudando o próximo.
        E ainda há pessoas que não acreditam em Concursos, pois posso dizer que são ótimos para quem quer uma vida estável. Sempre estudando que em breve teremos mais concursos. Estamos sempre estudando e aprendendo!

3 de nov. de 2011

FEIRINHA DA MADRUGADA


        Os bons ventos estavam parados, havia muitas nuvens negras estacionadas sobre minha vidinha medíocre de vendedor de coxinhas pela periferia da grande Sampa e tomei uma atitude inexorável, porém necessária para sairmos daquele desconforto financeiro que tanto estava perturbando nosso sono angelical.
        Olhava a porta da geladeira, onde estavam penduradas todas as contas atrasadas e dava vontade de chorar e quando abria a mesma, aí sim chorava de verdade, pois existia apenas água e várias bandejas de coxinhas para serem fritas e vendidas para pagarmos o aluguel, água, luz, imposto, fraldas, leite e se sobrasse algum trocado seria destinado para comprar um pouco de alimento. Que vidinha difícil!
        Resolvi vender coxinhas na Feirinha da Madrugada, no Brás, em São Paulo e preparei estrategicamente um plano maravilhoso que não iria falhar em hipótese alguma.
       Levantei-me às 2hs da manhã e comecei a Fritar as coxinhas e lá pelas quatro horas saí de casa com uma enorme caixa de isopor lotada de coxinhas, uma garrafa térmica de café e todas as contas atrasadas penduradas no pescoço, pois fazia parte da sensibilização humana. Era um novo apelo de marketing para vender todas as coxinhas e poder pagar as contas atrasadas.
      Cheguei à Feirinha às cinco da manhã e fiquei na entrada principal que é na Rua Monsenhor de Andrade e assim que desci do ônibus já comecei a falar bem alto que eu estava vendendo as deliciosas coxinhas com direito a um cafezinho para poder pagar as contas atrasadas e mostrava sorridente as contas penduradas no pescoço.
       O pessoal ficou espantado e muito sensibilizado e aos poucos foram chegando e comprando as coxinhas e eu sempre mostrava as contas atrasadas entre a venda de uma coxinha e outra e assim fui vendendo e conversando com os camelôs que tanto me ajudaram a vender todas as coxinhas e quando se aproximava nove horas já tinha vendido todas as coxinhas.
        Soltei um enorme grito de Felicidade, embarquei no ônibus Edu Chaves/ Vila Madalena, desci na Praça da Padaria Bole-Bole e entrei rapidamente na Lotérica para pagar as contas atrasadas.
        Muito Obrigado Camelôs da Feirinha da Madrugada que me ajudaram a sair daquele abismo financeiro e a conseguir retomar meu tranqüilo sono.
        As nuvens dissiparam, os ventos começaram a assoprar delicadamente a nosso favor a partir daquele dia e até hoje quando experimento qualquer coxinha lembro-me daquele difícil momento com um gostinho danado de quero mais. As coxinhas, obviamente!

2 de nov. de 2011

MEU AMIGUINHO COSME


        Eu tinha apenas nove anos de idade, isto lá pela década de 60, exatamente em 1964, morava na Rua Mangalot, na Parada Inglesa, bairro da zona norte de São Paulo.
       Vivia uma vida de príncipe e estudava numa boa escola do nobre bairro e tinha um vizinho que ficamos muito amigos chamado Cosme.
        Cosme era um garoto muito bonzinho, falava muito baixo e sorria alegremente para a vida e constantemente eu o via indo para escola onde eu estudava.
       Eu estudava a tarde e sempre mamãe ia levar-me a Escola Primária e sempre Cosme nos acompanhava, pois o mesmo ia sozinho para escola. Entre sorrisos, algum chute em pequenas pedras que estava no nosso caminho estreitou nossos pequenos laços de amizade.
       Eu e Cosme estudávamos na mesma escola, na mesma sala de aula do terceiro ano do curso Primário e ficamos muitos amigos. A classe era a mesma, a Professora Judite adorava Cosme, pois ele era um garoto muito inteligente.
      Naquela época antes de entrarmos para a classe a gente cantava o Hino Nacional e aguardávamos a professora na fila, era um respeito muito grande com nossos mestres.
      Com o passar do tempo e já estando acostumado com o trajeto, mamãe liberou para que eu fosse sozinho para escola e sempre ia junto com o meu amiguinho Cosme. Naquela época nós éramos muito comportados, pois andávamos na beira da pouca movimentada rua, falávamos sobre nossas brincadeiras da nossa escola e jamais parávamos antes de chegar na escola.
     Inesperadamente mamãe pediu-me gentilmente que eu fosse sozinho para escola e não tivesse a companhia de ninguém, inicialmente achei estúpido o pedido, mas procurei seguir o conselho de mamãe e refutava a presença do amiguinho Cosme que tanto insistia em ir junto comigo para escola. Dizia que mamãe não queria absolutamente ninguém indo junto comigo para escola e ele sempre me dizia que não haveria problemas em nos encontrarmos após perdermos nossas mães de vista e assim a gente seguia sendo amiguinhos: Após atravessarmos o imenso jardim e sairmos do raio de visão das nossas mães a gente se encontrava e íamos felizes para nossa escola sempre chutando algumas pedras, falando sobre nossa professora, rindo alto e falando baixo, muito baixo para que nossas  mães jamais percebessem que a gente se encontrava escondido delas.
    Já chegando no final do ano, saia de casa e ficava aguardando o meu amiguinho Cosme e nada dele aparecer, aguardava alguns minutos e seguia muito triste para escola sem a presença do amigo.
   Foram vários dias sem a presença de Cosme e num determinado dia enquanto estava aguardando o meu amiguinho Cosme passou um carro da funerária e alguns carros seguindo o mesmo, abaixei a cabeça em sinal de respeito, persignei-me e segui para escola muito triste, com o coração apertado, muito apertado.
   Naquele dia senti algo muito estranho, uma tristeza muito profunda no meu coração e ao chegar em casa mamãe comentou que meu amiguinho Cosme tinha morrido e tinha sido enterrado naquela tarde. Desabei a chorar desesperadamente enquanto era contido por mamãe que também me acompanhou nas lágrimas de sentimentos pelo meu amiguinho Cosme.

A COVEIRA


      Todo mundo tem amigos na vida, mas ter uma amiga que é coveira é pra poucos, muito poucos. Pois eu tive este privilégio de conhecer uma moça que é coveira aqui na cidade onde moro.
     Eu a conheci quando estava esperando chegar o corpo de um querido parente no portão principal do cemitério da cidade, eu estava fazendo uma grande reflexão sobre a vida quando olhei e lá estava uma moça sorridente, vestida com uniforme do cemitério, sentada sobre um túmulo. Não tive dúvida, era ela que tinha passado no último concurso, do qual participei para o cargo de Agente Comunitário. Aproximei-me e comecei a fazer algumas perguntas sobre o concurso, o porquê ter escolhido o cargo de coveira e comentei que tinha um blog onde contava histórias verídicas sobre o meu cotidiano e pedi autorização para escrever sobre ela e ela prontamente propôs a detalhar um pouco sobre o nobre cargo.
     Conversamos alguns minutos e fiquei sabendo muito sobre a vida no cemitério, sobre o difícil começo, a desconfiança dos colegas de trabalho, e repentinamente chegou um lindo carro preto trazendo o finado, despedi-me da coveira e fui acompanhar o enterro.
     Passado algum tempo, lá estava eu trabalhando como porteiro num Parque da cidade, eu estava na portaria principal e refletindo sobre o nada e lendo um pequeno livro e eis que aparece a coveira, ela estava transpirando muito e muito cansada, pois tinha ido pagar algumas contas na cidade e optou em passar pelo parque porque era o caminho mais curto.  Cumprimentou-me e disse estar muito apressada e precisava ir, pois naquele dia tinha morrido muitas pessoas. Rapidamente coloquei minha cadeira do lado de fora da guarita e pedi carinhosamente que se sentasse e descansasse um pouquinho que eu iria pegar um copo de água gelada para amenizar o calor.
    Peguei um pedaço de papel e dei a ela para enxugar o suor e ela ficou encantada com minha atitude e perguntou-me zombando o porquê de tanta dedicação e tanta gentileza e rapidamente sorri e disse: Pois é colega, tenho que tratá-la muito bem agora, pois daqui a algum tempo sou eu que estarei no seu local de trabalho e aí você lembrará quando passou por aqui e foi tratada muito bem e assim não jogará terra diretamente na minha cara e me tratará com muito carinho e  talvez até dirá  para algum presente daquele momento maravilhoso que esteve no Parque: Era gente boa, agora pertence aos vermes! Deixa comigo que eu enterro! Vai com Deus amigo! Fui! rsrsrsrs

AQUELE ABRAÇO


      Você combinou com os amigos beber aquele chopinho bem gelado à noite, combinou com a namorada levá-la ao cinema após  o happy-hour, passear no Parque domingo de manhã, pagar suas contas atrasadas, atualizar seus e-mails, terminar de ler aquele livro abandonado na estante faz meses, terminar seu tratamento dentário, passear na praia, ir ao cabeleireiro e no finalzinho da tarde morre.
      Poxa, isto é muito triste! Devemos fazer um protesto e exigirmos que a Morte seja anunciada, seja agendada. Nada de aparecer “de repente” e ir abraçando a gente sem ao menos dar tempo de escolhermos nossas camisas mais bonitas, passar o perfume mais gostoso, dar alguns beijos nas pessoas queridas e deixar o dinheiro para pagar as contas.
      Então aquelas fórmulas matemáticas aprendidas com tanto esforço, noites e noites estudando, provas, simulados, aulas de inglês, concursos, vestibular, faculdade e quando senta-se no banco da praça, lá está uma mulher muito linda, perfumada que começa a conversar com você e repentinamente você sente uma dor muito forte no peito, ela sorri marotamente e diz: Pois é velhinho, chegou sua vez! Prazer, sou Dona morte, vim buscá-lo, faz o favor de acompanhar-me.
     Mas o pior de tudo e não ter tempo de despedir-se de ninguém. Não há “saideira” para a Morte!
     Colocam um terno horrível em você, ajeitam sua face, te enfiam num caixão, ficam falando baixinho e rezando incessantemente. Que nada, gostaria de escolher a roupa que iria, nada falar baixinho, quero muitas piadas e sorrisos estridentes e algumas rezas para não contrariar os mais devotos.
     Bem que poderiam colocar algumas boas músicas de Tom Jobim, Chico Buarque, recitar alguns poemas de Neruda, Cecília Meireles, Jorge Luis Borges, Vinícius de Moraes e tantos outros.
    Não, não pode, ela está sempre apressada, afinal existe um cronograma a seguir e o tempo é precioso. Por isso amigo, viva tudo que há para viver, não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida....Perdoe....Sempre!
    Nunca, jamais adie qualquer sonho e viva-o agora porque talvez no próximo segundo você possa pertencer aos vermes que irão rir da sua cara medíocre.