14 de jul. de 2013

SORRISO









  Existiu e ainda existe um dentista maravilhoso chamado Doutor Mauro que tem um consultório no Jardim Brasil, zona norte da querida cidade de São Paulo. E quando todos os meus dentes começaram a cair minha irmã Silvinha disse: Vai ao doutor Mauro que ele coloca uma dentadura maravilhosa na sua boca!

      Após alguns dias pensando, pensando e sem nenhum dente resolvi ir até o consultório do Doutor Mauro. Peguei o ônibus 2127 – Parque Brasil na estrada da Conceição e desci numa pracinha e logo avistei o consultório que ficava em cima de uma granja. Subi lentamente as escadas e apertei a campainha e fui atendido por uma garota muito atenciosa que pediu gentilmente para eu sentar que seria atendido rapidamente.

      Sentei-me e peguei uma revista muito antiga e comecei a folhear e sempre pensando nos meus dentes postiços que o Doutor Mauro colocaria e após alguns minutos fui atendido pelo Doutor Mauro, um senhor de origem japonesa formado pela UNESP e que já tinha extraído mais de dez mil dentes ao longo da sua carreira como dentista.

      Após algumas semanas saí do consultório com os dentes mais lindos deste planeta e resolvi entrar num boteco do bairro para beber algumas cervejas e comer alguns torresmos e após beber várias cervejas e degustar vários torresmos gordurosos e duros  e ter testado minha linda dentadura segui para casa sorrindo para o mundo.

      Resolvi ir para a praia e as malas estavam todas prontas e lá fomos nós repletos de alegria e felicidade e eu sorrindo para todos e para o mundo e quando chegamos à praia armamos nosso guarda-sol e ficamos a admirar aquela maravilha do céu misturando-se com o mar e resolvi dar um mergulho nas límpidas águas daquela linda praia de Ubatuba e assim que mergulhei e levantei a cabeça para fora da água senti que tinha perdido minha linda dentadura feita com tanto esmero pelo Doutor Mauro, corri envergonhado até onde estávamos e disse muito acanhado para minha “patroa” que tinha perdido minha dentadura no mar. Entre vários sorrisos de todos saímos à procura da dentadura do Doutor Mauro pela areia e procura daqui e procura dali e nada de acharmos os meus dentes postiços.

      Várias cervejas e porções de camarão foram consumidas e muitas piadas foram contadas e quando havia a necessidade de sorrir sempre eu colocava a mão na boca, pois estava muito triste sem os dentes novinhos do Doutor Mauro e colocava a mão na boca e esboçava um sorriso “falso”.

      O dia já estava terminando, o Sol dando aquele espetáculo maravilhoso e eu ali com a mão na boca e a alma pequenininha sentindo a falta dos meus dentes. Começamos a desarmar o guarda-sol e a colocar tudo numa mochila para irmos embora e foi quando um garotinho que estava conosco postou-se na minha frente e disse:

- Luiz tem um presente para dar para você!

Fiquei imaginando o que um garotinho de apenas seis anos poderia dar para meu dia sem sorrisos e ele pediu para eu fechar os olhos e quando eu os abri ele depositou a minha dentadura em minhas mãos, sorriu e saiu correndo pela praia e dizendo: Achei a dentadura! Achei a dentadura! Achei a dentadura!

      Armamos novamente o guarda-sol e ficamos na praia até altas horas da noite contando piadas e eu lembrando e relembrando a alegria de termos um sorriso para o mundo.

7 de jul. de 2013

O BRILHO DE UMA ESTRELA



        


              Sempre que sobra um tempinho fico observando as estrelas que desfilam no céu ao anoitecer. A intensa iluminação existente na grande metrópole ofusca o brilho de algumas estrelas que continuam com seu brilho intenso indiferente a ação da mão do homem.
        Outro dia aconteceu um apagão na cidade onde eu moro e assim que tudo ficou escuro imediatamente coloquei algumas poltronas no quintal e convidei minha netinha para apreciar um dos espetáculos mais lindos deste planeta: Olhar o céu, observar as estrelas e sentir a nossa insignificância diante do brilho das estrelas.
        Nosso campo de visão era amplo e conseguíamos visualizar a olho nu milhares de estrelas que desfilavam no céu e sempre eu era questionado por minha netinha sobre o nome de algumas estrelas mais brilhantes, algumas eu sabia o nome, outras pedia desculpas a ela e dizia que iria consultar um mapa astrológico.
        Passados alguns minutos sugeri a minha netinha que colocaríamos nomes em algumas estrelas e imediatamente observamos uma estrela muito brilhante e minha netinha disse:
- Aquela estrela é a tia Silvinha!
O tempo foi passando, passando e várias estrelas ganharam nomes de pessoas que tanto amamos e após duas horas e trinta e quatro minutos escutamos vários gritos vindos de todos os lugares aplaudindo a volta da energia elétrica.
        Recolhemos nossas poltronas e fomos dormir lembrando-se do grande espetáculo assistido e em poucos minutos minha netinha já estava dormindo e eu comecei a refletir o porquê minha netinha tinha comparado a estrela mais brilhante com minha irmã chamada Silvia Regina, tia Silvinha.
        É... realmente minha netinha tem muita razão em comparar aquela estrela brilhante com minha irmã Silvinha, pois desde que a conheço ela tem ajudado muitas pessoas, tem uma grandeza de alma maravilhosa e é uma pessoa que diante de todas as dificuldades consegue ter um sorriso no rosto, uma palavra de carinho e sempre faz um afago na nossa alma. Parabéns Silvinha, nossa estrela mais brilhante deste Universo!
 

21 de mar. de 2013

A PRÓXIMA HISTÓRIA



          A existência, o amor, a simplicidade, o caráter de uma pessoa não se compra num supermercado da vida....Adquire-se ao longo de uma existência de uma família como a do senhor José da Silva e da dona Thereza Miranda da Silva que foram meus genitores e tanto sacrificaram para criar tantos filhos que hoje são pessoas do bem...cito-os: Sônia Regina da Silva, Suely Regina da Silva, Silvia Regina da Silva, Selma Regina da Silva......nossa...quanta Regina!...e  o meu querido irmão Robson Rogério da Silva.
      Tanto sacrifício, tanta luta e tudo foi maravilhoso!....Quantas necessidades passamos, mas sempre ao lado de pessoas que tanto amamos...Partimos...ainda não sei para onde....mas dá uma saudade imensa dos meus pais...assim como eu estou partindo....também não sei pra onde....mas legal...segundo diz o pessoal do “espiritismo” carregamos todos os nossos conhecimento deste “mundinho”...gostaria de receber o porteiro do “Novo Mundo” e dizer: Pois é amigo...lá na terra ajudei e trabalhei muito tempo numa indústria bélica  e depois fui parar numa Indústria de Remédios de Guarulhos em São Paulo e depois pra ajudar mais e mais minha vida acabei prestando um concurso e fui atender a todos os doentes de Jacareí...até o dia em que tive um Aneurisma Vascular Cerebral (AVC) na minha humilde mesinha de recepção...Morri!...Aqui estou eu...What can I do? O porteiro olha e olha minha ficha e diz: Pois Senhor Luiz Carlos da Silva...aguarde pacientemente ao lado pois não posso resolver o seu caso,irei consultar o chefe...e lá fico eu lendo meu livro....o único livro que consegui escrever na Terra...Todos os mortais entraram e o porteiro me chamou e disse: Sr. Luiz é sua vez...não vai entrar?.....e eu disse: Não obrigado...esqueci-me de  ler a última história...chama o próximo..Morri! rsrsrsrs

9 de mar. de 2013

VÓ MARIA - A PARTEIRA



      Uns dos momentos mais sublimes na vida do ser humano é quando ele nasce. Seria maravilhoso se pudéssemos lembrar-nos de todos os detalhes do nosso nascimento.

      Apenas ouvimos alguns comentários do dia do nosso nascimento, detalhes narrados com muita emoção, mas sempre muito superficial perante tão nobre dia.

      Não me lembro dos olhos lacrimejados de papai, do sorriso angelical de mamãe e aquele abraço cheio de carinho da minha avó, da minha tia.

      Entre as primeiras palmadas nas nádegas, o primeiro choro e o primeiro abrir de olhos ao lado de tantas emoções esparramadas naquele quarto estava a minha querida avó Maria que era parteira e foi ela que me colocou no Mundo.

      Uma época em que existia parteiras e sempre que alguma gestante iria dar “a luz” a mesma era convocada e apressadamente vestia-se, colocava um patuá no pescoço e saia embaixo de chuva para dar vida a mais uma criancinha.

      Naquela época uma parteira era muito valorizada e sem nenhuma aula em grandes Universidades prestava os seus serviços com muita competência e praticidade para toda a comunidade sem nenhuma remuneração, o que existia era muito carinho, muito amor, solidariedade e bastante fé.

      Assim que chegava à casa da futura mamãe pedia que colocassem uma chaleira com água no fogão à lenha e ficava ao lado da mamãe esperando o momento certo ao lado de evolutivas contrações.

      O momento era de muita apreensão e ansiedade, mas todos confiavam no maravilhoso trabalho da querida avó Maria que já tinha feito vários partos no sertão, quando não existia energia elétrica e muito menos algum hospital ou médico de plantão.

      O parto já tinha começado e após alguns minutos o bebe já tinha nascido entre alguns soluços e abraços emocionados sob a fraca luz de uma lamparina.

      Vó Maria entregava carinhosamente o bebe a mamãe e saia vagarosamente do quarto entre abraços de todos e alguns beijos e ia sentar-se num banquinho de madeira que ficava do lado de fora da casa. Acendia seu cachimbo e ficava sorrindo entre uma cachimbada e outra e sentia-se muito feliz em ter dado vida a mais um anjinho.