23 de dez. de 2012

MISSA DO GALO



       Já fazia algum tempo em que eu estava morando naquela pacata cidade do interior e tudo naquela tranquila cidade agradava-me, desde os gestos simples e cordial das pessoas que mesmo não me conhecendo sempre ao passar por mim cumprimentavam-me e tudo aquilo era muito estranho, pois tinha vindo de uma metrópole onde ninguém olhava para cara de ninguém.
      O tempo foi passando e meu único objetivo era estudar para formar-me engenheiro e quantas garotas pediam para namorar comigo e eu educadamente dizia: Não obrigado, no momento tenho que estudar e lá ia seguindo minha “vidinha”.
      Trabalhava durante o dia numa construtora e a noite ia para escola Técnica concluir o curso técnico e preparar para entrar numa faculdade.
      Todos os dias eu ia almoçar em casa e sempre me acompanhava um colega chamado Valdir que trabalhava junto comigo e sempre que passávamos por uma rua avistávamos uma linda garota que sempre estava a varrer o enorme quintal de terra e sempre acenava para nós e foi num determinado dia que meu colega Valdir disse:
- Olha Luiz, não sei se você já observou, mas aquela garota está paquerando você! E eu dizia para o colega: Ora Valdir e eu sou lá de chamar atenção de alguém, aperta o passo que estamos atrasados para o almoço e assim seguíamos apressadamente para o encontro da nossa refeição, sempre contando várias piadas e rindo do cotidiano.
      Na segunda quinzena do mês de dezembro de 1975 tudo era festa, pois nossa juventude aliada ao bom desempenho nos estudos e no trabalho estava em harmonia e quando num determinado dia eu estava indo trabalhar após o almoço vejo aquela linda garota fazer um sinal para eu esperar que ela gostaria de falar comigo.
      Parei em frente da casa daquela linda menina e fiquei aguardando ela caminhar vagarosamente ao meu encontro e quando chegou perto pude perceber toda a beleza que a mesma tinha: Uns olhos cor de mel e um corpo de bailarina e trajando um lindo vestido azul chegou bem pertinho e perguntou meu nome e eu imediatamente disse tartamudeando meu nome completo e fiquei pensando: “Caramba, será que meu presente de Papai Noel chegou adiantado?”
      Apresentamo-nos e marquei de ir buscá-la na escola após as aulas do período noturno. Naquela tarde trabalhei encantado diante de tanta beleza e fiquei ensaiando mentalmente o falaria para aquela linda garota quando nos encontrássemos e decidi pedi-la em namoro e tentar conciliar o namoro com os estudos e o trabalho.
      O encontro aconteceu e entre alguns beijinhos passamos a fazer várias perguntas sobre nós e ela ficou admirada e encantada com minha força de vontade e o grande objetivo em formar-me engenheiro e perguntava-me constantemente o porquê de não ficar morando na cidade de São Paulo e eu dizia que estava disposto a esquecer da grande agitação da metrópole em busca do meu sonho em estudar muito e voltar para Sampa somente depois de formado.
      Durante nossa conversa ela perguntou minha religião e eu disse que era católico e foi então que ela fez um convite para assistirmos a missa do galo na igreja da matriz junto com ela e concordei rapidamente e marcamos o encontro para irmos à igreja e nos encontrar a meia noite do dia 24 de dezembro na porta da igreja.
      Assim que cheguei à porta da igreja que já estava lotada de fieis fiquei alguns minutos tentando localizá-la na porta da igreja e eis que senti duas mãos tampando meus olhos e perguntando para eu adivinhar quem era e quando as delicadas mãos foram retiradas da minha visão pude ver a mulher mais linda que meus olhos já tinham visto neste planeta: Trajava um lindo vestido totalmente branco ornamentado com alguns botões cor de ouro, uma sandália prata e um sorriso encantador que iluminava toda a praça.
      Assistimos a missa do galo do lado de fora da igreja e foi totalmente celebrada em latim e a cada amem que eu escutava do padre erguia os olhos para o céu para agradecer meu lindo presente: Aquela linda mulher que tornar-se-ia minha esposa após dois anos daquele encontro na missa do galo.

22 de dez. de 2012

PRESENTE DE NATAL



      A paixão de um jovem é maravilhosa e foi assim que me apaixonei pela primeira vez quando eu tinha lá meus quatorze anos de idade por uma garota muito bonitinha e de gestos delicados que morava no mesmo bairro onde eu morava.
      O namoro naquela época existia a necessidade de pedir aos pais da garota o consentimento para poder namorar e lá fui eu todo envergonhado e com muito medo de levar uma surra do pai da garota e de seus três truculentos irmãos solicitar o tal consentimento.
      Naquele dia estava acontecendo o aniversário da minha namoradinha e entre várias felicitações lá estava eu todo encolhido no sofá da sala esperando o momento oportuno para solicitar o consentimento do nosso namoro.
      Na televisão estava passando um programa chamado “O Chacrinha” e resolvi tomar coragem, levantei-me, coloquei meu corpo ereto, pigarreei algumas vezes, arrumei a gola da camisa e chamei o pai da pequena para falar sobre o nosso namoro e pedir autorização para namorarmos.
      O velho senhor quando chegou perto da minha pessoa pareceu que tinha uns dois metros de altura e enchi o peito e disse:
- Olha senhor, estou aqui para pedir o nobre consentimento do senhor para namorar sua filha.
      O pai da garota deu uma sonora gargalhada e disse que não poderia resolver nada e pediu para eu falar com a mãe da minha namorada, pois era ela que decidia tudo dentro daquela casa.
      E lá fui eu pedir o consentimento para a mãe da pequena e ela disse que jamais poderia opinar e consentir, pois quem mandava na casa era o marido.
      Como já tinha falado com o pai e o mesmo jogou toda a responsabilidade para a mãe e a mesma não decidiu nada, resolvi chamar minha namoradinha para fora da casa e disse que iríamos namorar assim mesmo, pois tinha ido pedir autorização e não obtive resposta alguma.
      O namoro continuou e prometi a minha namoradinha que no próximo aniversário dela iria dar um presente que ela jamais esqueceria pelo resto da vida e assim os meses foram passando e o nosso amor foi aumentando e quando chegamos ao mês de Outubro comecei a reservar algum dinheiro do meu pífio “salário” de office-boy para comprar um significante e maravilhoso presente para dar para minha namoradinha.
      A dúvida corroia os meus neurônios quanto ao presente que eu poderia dar para minha namoradinha e entre idas e vindas nos lotadíssimos ônibus de outrora surgiu a ideia de dar uma caneta tinteiro toda de ouro e assim que almoçava todos os dias no meu emprego sempre saia pelas lojas que vendiam canetas pelas ruas centrais de São Paulo para pesquisar as lojas e tentar escolher o presente para minha namorada.
      Faltando alguns dias para o Natal entrei em uma loja muito linda que vendia canetas de todas as marcas e origens e comprei uma caneta totalmente banhada a ouro e pedi para o atendente que embrulhasse com o melhor papel de presente, pois iria dar para minha namorada e ele todo solícito ainda brincou, dizendo: Poxa, você deve gostar muito desta sua namorada! Estas canetas são vendidas apenas para executivos e executivas pelo seu alto custo.
      Coloquei a caneta no bolso e sai todo feliz da loja e não ousei abrir o presente até a véspera do Natal.
      Naquela véspera de Natal resolvemos caminhar pelas ruas do bairro e lá ia eu segurando a mão da minha namoradinha e quando paramos numa pracinha, sentamos num banco e eu olhei bem nos lindos olhos verdes da minha namorada e depositei carinhosamente o meu presente nas mãos da pequena desejando Feliz Natal e dei um carinhoso beijo na sua face e assim que ela abriu o presente seus olhos lacrimejaram e ela disse:
- Nossa Luiz, que lindo presente! Nunca ganhei nada mais lindo e valioso que esta linda caneta, muito obrigado querido! Feliz Natal pra você também!
      Saímos de mãos dadas e fomos comemorar a entrega do presente comendo alguns pastéis com guaraná numa pastelaria existente no nosso bairro. Uma ótima recordação da véspera do Natal. Apenas uma caneta tinteiro que jamais ela usou, mas valeu o lindo presente. Um presente de Natal!

O VIRA-LATA



      Em frente a um grande supermercado existente na cidade onde moro existe um rapaz que todos os dias monta sua enorme churrasqueira e lá fica a vender os deliciosos churrascos até umas dez horas da noite.
      Eu e minha netinha fomos fazer algumas compras no supermercado e ao sair do mesmo minha netinha viu aquela quantidade enorme de fumaça saindo da churrasqueira e todo o delicioso e agradável cheiro de carne assada e fez-me um convite irrecusável:
- Vovó o que acha de comermos um churrasquinho daquele moço?                            E eu rapidamente aceitei tão delicioso convite e sentamo-nos confortavelmente em frente da churrasqueira em frente a uma oficina mecânica que estava fechada e pedimos dois churrascos de carne e começamos a comer, apreciando a fumaça subir e os carros passarem pela movimentada avenida.
      Um vira-lata atravessou a rua e chegou perto do pessoal que estava comendo churrascos e começou a comer alguns pedaços de carne que estavam pelo chão e imediatamente minha netinha disse:
- Olha vovó este lindo cachorrinho deve estar com muita fome!
      O proprietário dos churrascos pegou uma garrafa pet cheio de água e jogou no vira-lata para espantar o mesmo e imediatamente minha netinha fez o seguinte comentário:
- Nossa que moço maldoso! Será que ele não vê que o cachorrinho está com muita fome?
      Assim que terminamos de comer nossos churrascos minha netinha pediu se eu podia pagar mais um churrasco pra ela, pois ela estava com muita fome e concordei e assim que ela pegou o churrasco correu até o vira-lata e deu a ele.
      Muito envergonhado o dono dos churrascos pediu desculpas e elogiou o gesto da minha netinha em dar um churrasco inteiro para o vira-lata.
      Seguimos para casa e eu fiquei a refletir sobre o gesto bondoso da minha netinha e o olhar diferente de uma criança que vê um mundo totalmente diferente dos adultos.

O GATO



      O final do dia estava chegando e eu estava muito cansado, pois tinha trabalhado o dia todo vendendo meus sucos de laranja numa linda praia do litoral norte do estado de São Paulo.
       Coloquei minha enorme caixa de isopor em cima de um rústico banco de madeira e sentei-me pesadamente ao lado da mesma e solicitei ao garoto que estava servindo os fregueses uma cerveja muito gelada.
       Olhei para um simples cartaz colocado na entrada do rústico quiosque os preços das porções que eram vendidas e não tive coragem de pedir uma porção de camarão, pois o preço estava muito alto e assim continuei a beber minha cerveja e enquanto eu estava esfregando meus pés na limpa areia e observando o mar, apareceu uma enorme família de Americanos e sentaram em outra mesa e pediram várias porções de camarões e várias bebidas e ficaram a falar alegremente enquanto deliciavam com as fartas e deliciosas porções.
       A noite caia silenciosamente quando vi entrar no quiosque um gatinho todo sujinho e ficou a andar para lá e para cá dentro do quiosque a procura de algum pedaço de camarão, peixe ou outro alimento que saciasse sua fome de gato de rua.
       Uma menininha pertencente à família dos Americanos disse ao seu pai em inglês:
- Papai olha que gatinho mais lindo, podemos pagar uma porção de camarão a este pobre bichano?
       O pai acenou a cabeça afirmativamente e dentro de alguns minutos lá estava o bichano a comer os enormes e deliciosos camarões e eu ficava a pensar:
“Caramba este pobre gatinho comendo esta deliciosa porção de camarão e eu aqui a ver navios!”
       A família pagou a conta em foi embora e lá ficou o gatinho degustando a enorme porção de camarão e foi então que tive uma ideia fantástica:
Solicitei um prato para o garoto garçom e pedi licença para o gatinho e tirei alguns camarões do pobre gatinho sob o olhar surpreso do proprietário que sorriu muito e disse:
- Está certíssimo em ajudar o gatinho a comer os camarões, afinal ele não aguentaria mesmo comer todos os camarões!
Rimos muito e pedi mais algumas cervejas e o gatinho foi embora sem se despedir da gente.

21 de dez. de 2012

PAPAI NOEL



      E naquele dia 24 de dezembro cheguei à casa da minha irmã Sônia e experimentei uma fantasia do Papai Noel e ela disse:
- Nossa Luiz, como você está igual ao Papai Noel! Só falta a barba e a barriga!
      Enfia-se nesta fantasia, enche a barriga de jornal velho, coloca esta barba postiça e vamos ganhar algum dinheiro!
      Inicialmente não entendi nada daquilo que minha irmã estava falando, mas ela começou a detalhar o que iria acontecer: disse-me que a loja de calçados do Roni na Vila Maria Alta ainda não existia nenhum Papai Noel e ali estava uma ótima oportunidade de eu faturar alguns “trocos” para poder passar o Natal.
      Imediatamente enfiei-me naquela fantasia de Papai Noel, coloquei uma barba postiça e enchi minha barriga com jornal velho, olhei-me no espelho e parti para a loja em busca de mais um “bico” na véspera de Natal.
      Logo que cheguei à loja entrei fui procurar o Roni e assim que ele apareceu eu disse: Oh, Oh, Oh...O Papai Noel chegou!
O Roni olhou, olhou e começou a rir e perguntou o que eu estava fazendo dentro daquela fantasia e eu disse que vinha a pedido da minha irmã Sônia e estava precisando ganhar algum dinheiro e o Roni imediatamente colocou um grande banco de madeira na entrada da loja, foi até o fundo da loja e trouxe uma bota de couro e pediu para eu calçar, atravessou a rua e comprou vários sacos de balas de todos os sabores e colocou num enorme saco e disse:
- Boa sorte Papai Noel, pode sentar naquele banco de madeira  na entrada da loja e receba todos os clientes com muita cordialidade e um belo sorriso no rosto! Aqui está este sino, balance-o constantemente para que toda a população da Vila Maria entre na minha loja e façam grandes e significantes compras. Boa sorte e um abraço! Oh, Oh, Oh....
      Sentei-me confortavelmente no banco de madeira e cada cliente que entrava acenava e distribuía balinhas para as criancinhas. Aquele dia estava muito quente e eu dentro daquela fantasia transpirava muito e foi então que chamei o Roni e disse a ele que precisava refrescar-me urgentemente e fui até um bar e pedi uma cerveja bem gelada e uma boa dose de “Martini com conhaque” e retornei para a loja para exercer meu nobre papel de Papai Noel desempregado.
      Passados alguns minutos de um calor sufocante dentro daquela pesada roupa, não resisti e caí do banco e todos vieram ajudar-me e foi quando uma criancinha disse:
- Olha mamãe...que lindo o Papai Noel caiu!
Levantei-me rapidamente e disse que tudo estava tudo muito bem.
      O movimento da loja naquele dia foi muito grande e todas as balinhas foram distribuídas para as criancinhas e muitos pedidos recebi dos pequenininhos.
      A loja fechou às 22 horas e voltei para casa com algum trocado que recebi do Roni e a bota de couro e o mesmo prometeu que no dia 26 de dezembro eu passasse na Loja para receber pelo meu nobre trabalho de Papai Noel e quando eu estava saindo da loja o Roni perguntou o que eu estava precisando fora o dinheiro e eu imediatamente disse que necessitava de roupas, pois tinha apenas uma calça, uma surrada camiseta e uma sandália velha e o Roni disse que iria presentear-me com algumas roupas.
      O tempo passou e no inicio do ano quando eu estava trabalhando de servente de pedreiro na casa de uma colega chamada Silvana avistei de longe meu querido sobrinho Leandro com vários cabides repletos de roupas e logo ele gritou:
- Aí tio...suas roupas chegaram! Simplesmente o Roni pegou todo o seu guarda-roupa e doou para mim e eram maravilhosas roupas caríssimas. Fiquei muito Feliz e ainda doei algumas camisetas para alguns sobrinhos e agradeci muitíssimo o presente do Papai Noel. Oh, Oh, Oh....Feliz Natal a todos!