11 de set. de 2012

AULAS DE INGLÊS



         A maneira de como eu aprendi inglês foi um pouco dolorida e até um pouco vergonhosa, mas foi necessário eu ter sido humilhado para tomar vergonha e aprender definitivamente o inglês.
         Enviei um curriculum para uma empresa americana na cidade de São Paulo e logo fui chamado para uma entrevista e exatamente no horário estipulado lá estava eu com os meus diplomas, minha carteira profissional e muita disposição em conseguir aquela vaga, pois a remuneração era excelente.
         Apertei o botão e logo o elevador chegou e desci no vigésimo primeiro andar de um elegante prédio comercial na Avenida Paulista.
         A elegância e o tratamento na recepção eram indescritíveis e logo fui recepcionado por uma linda garota com sotaque americano e cocei a cabeça e pensei: Acho que deve ser americana também e a garota foi logo anunciando que os candidatos deveriam falar inglês fluentemente, pois viajariam constantemente para os Estados Unidos e assim que ela anunciou que haveria a necessidade da fluência no idioma, vários candidatos começaram a ir embora foi aí que eu pensei: Fluente eu não sou, conheço somente as conjugações de alguns verbos e algumas palavras, mas vou ficar para ver no que vai dar.
         Sentei-me numa confortável cadeira e fiquei aguardando ser chamado para a entrevista e não demorou muito fui chamado pela educada recepcionista que me levou até o gerente da multinacional, desejou-me boa sorte e lá estava eu diante de um senhor elegante que pediu gentilmente para eu sentar e perguntou meu nome em inglês, pigarreei e comecei a suar frio diante daquele senhor que não sabia nenhuma palavra de português e o americano começou a falar, falar e falar desesperadamente e eu tentando achar qualquer legenda abaixei a cabeça e quase tive uma crise de choro.
         Após uns dois minutos do monólogo ele passou a mão no telefone e pediu para recepcionista pedir para eu retirar-me da sala, pois eu não sabia inglês, portanto não serviria para o cargo.
         Educadamente a recepcionista entregou-me a minha carteira profissional e eu desci pelas escadas com uma decisão que mudaria todo o rumo da minha vida: Iria aprender Inglês e tornar-se-ia fluente na língua.
         Assim que cheguei à minha cidade desci na rodoviária e fui a melhor escola de inglês existente naquela época e contei o ocorrido para o dono da escola e fui bem enfático: Necessito aprender inglês urgente e ele sorriu e colocou-me na melhor turma da escola.
         Era duas horas por dia de segunda a sexta-feira e nos finais de semana a gente se reunia para praticar o aprendido durante a semana e fui passando todos os estágios e após três anos eu já estava falando fluentemente e conseguindo traduzir várias normas técnicas americanas.
         Agradeço muito a minha não contratação naquela empresa, pois foi só assim consegui aprender mais um pouquinho e até hoje tem me ajudado em pesquisas e leituras de alguns livros. Thank you!

9 de set. de 2012

O SABIÁ LARANJEIRA



         A monotonia do cotidiano andava querendo surpreender-me e os horários milimetricamente estabelecidos no relógio para os afazeres do dia a dia estavam deixando-me um pouco entediado.
         Os horários impostos pelos compromissos do sobreviver às vezes deixam-me um pouco atordoado e lembro-me dos tempos em que eu não tinha relógio e o tempo era o agora.
         Naquela quinta-feira fui dormir exatamente no mesmo horário de costume e entrei em grandes reflexões sobre nossa existência e assim adormeci escutando belas músicas de um bar chamado “O Boêmio” que fica perto de casa.
         Acordei sobre o canto de um sabiá que insistia em cantar e cantar e cantar, não foi possível permanecer deitado e levantei-me lentamente e fui recepcionar meu mais novo amiguinho: O sabiá laranjeira.
         Coloquei um jarro de água no fogão para fazer o café matinal e fui apreciar a beleza de ser um pássaro e cantar maravilhosamente aquele horário, afinal eram apenas cinco e vinte da manhã e lá estava o meu amiguinho cantando despreocupadamente e olhando de soslaio ao seu redor. Não tenho inveja de absolutamente nada, mas naquele dia senti muita inveja do meu amiguinho sabiá. Talvez pela liberdade, pelo canto mavioso e por não ter horário com o cotidiano.
         Os dias foram passando, passando e descobri que o meu amiguinho também tem horário para o seu canto matinal e está estabelecido que o mesmo aparece no pé de goiabeira entre cinco horas até cinco e meia e depois levanta voo e vai não sei pra onde.
         O difícil e fazê-lo entender que aos sábados, domingos e feriados eu não trabalho, mas lá está ele a acordar-me às cinco da manhã.
         Aos finais de semana eu acordo no mesmo horário, abro a janela e desejo um bom dia ao meu mais novo amiguinho: O sabiá Laranjeira.

BOM DIA!



         A amizade com a Silvana tinha vários anos e ficamos verdadeiros amigos desde quando ela era adolescente e a conheci numa festa de final de ano quando a alegria e a felicidade invadia nossa casa.
         Os anos foram passando passando e nossa amizade foi fortalecendo-se e constantemente fazíamos o “happy-hour” nos finais de semana onde geralmente comíamos alguma pizza e bebíamos vários copos de chopes regados a vários sorrisos e uma ótima conversa.
         Os assuntos que conversávamos variavam muito e eu sempre adorava quando ela contava dos seus paqueras, pois a garota era muito linda e seus paqueras eram muitos.
         A minha querida colega trabalhava num banco e todos os dias a via sair da sua casa para ir ao trabalho e eu ficava imaginando: “Mas como ela veste-se bem, como ela é elegante, que perfume maravilhoso! E eu ficava imaginando que jamais ela iria trabalhar e sim iria a um shopping ou a alguma festa de rico.”
         Mas minhas dúvidas eram dissipadas quando a via atendendo os clientes com toda a sua elegância e simpatia como caixa no banco.
         Nas conversas das pizzarias eu sempre perguntava a ela qual teria sido a melhor cantada que ela já tinha recebido e num determinado dia ela disse:
         Olha Luiz, de todas as cantadas que recebi até hoje me recordo de um “caboclo” que todos os dias quando o banco abria lá estava o garoto na fila do meu caixa e eu atendendo a todos e quando chegava a vez do mesmo ser atendido ele simplesmente dizia: BOM DIA! Não quero absolutamente nada só passei por aqui para desejar um maravilhoso dia pra você e dizer que você é linda!
         A gente ria muito e depois eu perguntava a ela o final e ela dizia sorrindo: Encantador o gesto do garoto por enaltecer minha beleza, mas ele era muito feinho!
         Os risos ecoavam pelo estabelecimento e em seguida a gente chamava o garçom para servir mais alguns copos de chopes.

8 de set. de 2012

O PERFUME



         A beleza e o encanto de uma mulher nem sempre está na sua beleza física, mas sim nas suas atitudes, gestos delicados, posicionamento diante de pequenos ou grandes problemas e acima de tudo no perfume que ela usa.
         Tinha lá meus quatorze anos e depois de ser apresentado a uma linda garota e pegar na sua mão fiquei apaixonado pelo delicioso perfume que a pequena usava, foi um encanto ao primeiro olfato e deu uma vontade enorme de perguntar qual era a marca, estilo, sei lá o quê, mas meu olfato foi bombardeado por aquele maravilhoso cheiro de jasmim e a partir daquele momento quando encontrava com a menina fazia questão de pegar na mão da mesma e ficar eternos segundos segurando para que a transferência do aroma agradabilíssimo fosse efetuada para eternidade.
         Os nossos encontros eram rápidos, pois dependia do seu irmão que estudava na mesma classe no período noturno e às vezes trazia a menina mais “cheirosa” da escola e eu num determinado dia pedi o consentimento do seu irmão para poder namorá-la e ele balançou os ombros e pediu muito cuidado com a sua irmã e principalmente com o pai da pequena que era muito bravo.
         Os nossos encontros aconteciam exatamente ao meio dia, pois a mesma estudava no período vespertino e eu trabalhava numa fábrica ao lado da escola e quantas vezes deixei de almoçar para poder encontrar a pequena e ficar sonhando o resto da tarde com aquele perfume encantador.
         Nosso namoro resumia-se a rápidos beijos num pequeno restaurante, quando sobrava dinheiro e vários apertos de mãos para que o perfume ficasse a tarde toda e eu poder cheirar minhas mãos constantemente entre uma datilografada e outra em inúmeras notas fiscais.
         Até hoje não encontrei mais nenhuma mulher que usasse aquele maravilhoso perfume, talvez fosse importado, sei lá, mas nos poucos neurônios que ainda me restam permanece o inefável cheiro de amor.

CURSINHO PRÉ-UNIVERSITÁRIO



         Existiu uma época em que me matriculei num cursinho pré-universitário para poder fazer o vestibular em uma Universidade Pública.
         Eu trabalhava numa indústria de telecomunicações em São José dos Campos SP e frequentemente eu era cobrado com relação em não possuir um curso universitário e resolvi encarar as aulas noturnas em um excelente cursinho.
         Logo nas primeiras aulas descobrimos as raridades existentes entre os professores e a maneira de cativar a atenção dos alunos valia tudo.
         Existia um professor de biologia que se chamava Decourt, era de origem francesa e suas aulas eram um verdadeiro espetáculo, pois o mesmo ministrava todas as aulas declamando poesias e relacionando-as aos tópicos da matéria, simplesmente maravilhoso!
         Outro professor que nós adorávamos era um professor de história que já tinha vários livros de história editados e já tinha viajado o mundo todo e quando citava algum lugar do planeta os detalhes eram tantos que ficávamos maravilhados com os detalhes e existiam alunos que jamais piscava e viajava com o tal professor.
         Naquela época antes de irmos para o cursinho, eu e um amigo chamado Alípio, apelidado de Xaxá passávamos numa pensão para jantarmos e a comida era tão boa que após ingerir tanta comida dava uma vontade enorme de ficar estirado no sofá e logo o Xaxá gritava: Vamos Luiz, como você quer ser engenheiro sonolento deste jeito! Vamos para o Cursinho! E lá seguíamos andando ate o cursinho sempre direcionando nossas conversas para assuntos do cotidiano que talvez pudesse ser pedido no vestibular.
         Alguns finais de semana íamos ao plantão de dúvidas, e as dúvidas eram tantas que a gente achava que deveria existir este plantão 24 horas por dia.
         Lá pelas nove e meia da noite os nossos olfatos eram invadidos com um delicioso cheio de mortadela que alguns alunos levavam como merenda e quantas vezes aceitei humildemente um bom pedaço de pão com mortadela entre análises sintáticas, geometria espacial e outras matérias.
         Consegui cursar o cursinho por apenas três meses, mas foi o suficiente para conhecer professores maravilhosos que se empenhavam em ensinar em apenas uma hora o que deveríamos ter aprendido ao longo de três anos e acreditem: conseguiam colocar nas nossas “ocas” cabeças todo o conteúdo.
         Não terminei o cursinho e também não participei de nenhum grande vestibular de uma Faculdade Pública, mas conheci de perto o empenho e a dedicação destes maravilhosos professores, professores de cursinho pré-universitário