Conheci a Dona Creusa, a comadre, como a chamávamos carinhosamente através da minha irmã Silvinha e quis o destino que nós fossemos vizinhos por algum tempo.
Sempre que nos encontrávamos na casa da minha querida irmã Silvinha eu constantemente contava “causos” engraçados e ela ria fartamente.
Lembro-me de um fatídico dia, um sábado à tarde em que bebi algumas cervejas a mais que o costume permitia e cheguei em casa cansadíssimo e resolvi fritar algumas coxinhas, coloquei o óleo para esquentar e fui deitar para descansar do dia das vendas das coxinhas pelo bairro da Vila Maria Alta.
Adormeci e quando acordei sob gritos da comadre pela janela do banheiro e pela vizinha da frente dizendo que minha casa estava pegando fogo.
Espantadíssimo, peguei a panela e joguei-a no quintal e joguei água em cima o que propagou mais ainda o fogo e existia outra vizinha que gritava freneticamente da sacada que tudo estava pegando fogo e eu ria e dizia que nós estávamos no Inferno!
Assim que o fogo cessou apareceu minha irmã Silvinha muito brava dizendo que quase tinha matado a comadre de susto e com a fumaça que invadiu toda a casa. Pedi mil desculpas e voltei a dormir muito arrependido com o ocorrido e morrendo de vergonha de olhar para a comadre.
Passados alguns dias encontrei a comadre na casa da minha irmã e ela disse sorrindo:
- Caramba seu Luiz, quase matou a gente de susto! E eu timidamente coloquei a culpa no cansaço e “puxei” outro assunto.
Às vezes a comadre pedia para eu capinar o quintal da casa onde ela morava e eu demorava vários finais de semana para capinar alguns metros quadrados e ela ria muito e dizia que eu estava muito cansado e pedia para deixar para outro final de semana e assim que terminava de capinar ela remunerava-me com uma quantia em dinheiro e eu ficava muito feliz.
O último encontro que tivemos foi quando fui ao asilo comprar algumas calças e camisas e ela ajudou-me a escolher as roupas e disse-me que estava até feliz morando no asilo.
Realmente a comadre era uma pessoa muito querida por todos, especialmente pela minha irmã Silvinha e tenho certeza que a esta hora ela deve estar participando de uma grande festa no Céu e deixou a gente muito triste com a sua partida. .....Mas a vida é assim mesmo, chega um determinado momento a gente tem que fazer a malinha e partir. Obrigado Dona Creusa por ter participado de momentos alegres e às vezes tristes entre nós nesta vidinha fugaz e pedimos a sua proteção onde quer que a senhora esteja.
17 de mar. de 2012
PACIÊNCIA
Remexendo no almoxarifado da minha memória que ainda não está informatizado e é composto de várias fichas amareladas pelo tempo a procura das sete virtudes, encontro uma ficha na letra “P” escrito “PACIÊNCIA”, retiro-a cuidadosamente, assopro a poeira e coloco-me a pensar pacientemente no novo texto chamado: PACIÊNCIA.
Algumas anotações na parte superior da ficha questiona-me a existência da minha paciência e o que eu ando fazendo para mantê-la ao meu lado ou se eu já a perdi ha muito tempo. Novamente entro em grande reflexão e tenho um olhar global entre todas as pessoas e observo que muitas pessoas nunca tiveram Paciência e outras já perderam a mesma faz tempo.
É muito comum notar a ausência da Paciência em alguns Setores Públicos, filas quilométricas de grandes supermercados, no trânsito caótico das grandes metrópoles, no nosso trabalho, nos nossos estudos e até na nossa convivência familiar.
O que fazer para mantê-la sempre pertinho da gente assim como um filho recém nascido? Fácil, muito fácil: Apenas devemos usar a Empatia quando tratarmos com pessoas de difícil relacionamento. Mas e em relação ao trânsito, a fila do banco, nos supermercados e nos setores Públicos? Bom, aí é necessário passar a mão na cabeça da querida Paciência, sentar-se num banco de um sossegado jardim e ter uma boa conversa de entendimento e seria mais ou menos assim:
- Querida, jamais quero perde-la, mas é necessário que você ajude-me e fique sentadinha ao meu lado, pois vamos “pegar” a marginal Tietê neste horário, horário de grande movimentação de carros, entendeu?
- Ah sim, entendi, jamais quero afastar-me de você!
- Então fique sentadinha aí ao meu lado enquanto eu dirijo.
E assim é dada a partida no carro e alguns quilômetros são percorridos na marginal e quando olho para o banco do passageiro não vejo mais ninguém, olho pra trás e vejo que a Paciência abandonou-me na primeira curva e lá estou eu sem a Paciência.
Ser paciente é ser caridoso, é entender que mesmo a Paciência não teve paciência com tal situação e no primeiro acesso a direita, voltar e encontrá-la andando calmamente, parar o carro e convidá-la a entrar e seguir viagem entre milhares de buzinas, fechadas, barulho de motores, cheiro de combustível.
Quando chegamos em casa, depois de várias horas parado no infernal trânsito da grande metrópole, convidá-la gentilmente para entrar e ela diz:
- Nossa, agora você me perde de vez!
Alguns sorrisos são ouvidos entre nós, um beijo na patroa e outros nas crianças e o ar de felicidade no semblante da Paciência sentadinha do sofá parecendo que não irá nos abandonar naquele momento.
Ufa, estamos em casa para descansar e quando deitamos e vamos fazer nossas orações para agradecer a Paciência ela aparece surpreendentemente ao nosso lado e diz:
- Obrigada! Seja paciente, senão você me perde! Amanhã estaremos juntos novamente! Boa noite!
As luzes apagam-se e os sonhos são maravilhosos.
14 de mar. de 2012
MEU ANJO DA GUARDA NA PENSÃO
Pensão é o único lugar do mundo onde você entra e seu anjo da guarda fica sentado na calçada. Então você convida-o para entrar e ele diz:
- Você tá doido entrar neste lugar! Entra você e se por acaso você estiver em perigo é só dar um grito que eu entro correndo pra te ajudar! Afinal sou o seu anjo da guarda e minha missão é ajudá-lo, a protegê-lo, mas desculpe-me amigão desta vez você vai sozinho, estou com o saco cheio de você se meter em várias enrascadas e sobrar pra mim. Chega!
E então lá vou eu com algumas roupas, com o coração apertado e logo sou conduzido ao meu quarto que o administrador apresenta várias beliches e apenas uma cama e diz:
- Olha Sr.Luiz, pode ficar com esta cama, pois a mesma está vaga e aqui temos um armarinho para colocar suas roupas, lá fora tem uma cozinha e se o Senhor quiser fazer algum miojo fique bem à vontade. Ah, esqueci, temos dois banheiros. Um para o pessoal daqui de baixo e outro lá em cima para o pessoal dos quartos de cima. Entendido? Ah, ia esquecendo-me: É terminantemente proibido entrar mulher, a não ser aquelas que moram aqui. Boa noite!
Fechou violentamente a porta e saiu e eu fiquei lá largado entre alguns pensionistas que estavam dormindo e roncavam muito. Sentei-me na cama e fiquei olhando minha sacolinha com algumas roupas, um pequeno livro de poesia e deu uma vontade muito grande de gritar para meu anjo da guarda, mas fui forte e abri vagarosamente o armarinho e comecei a dispor minhas peças de roupas silenciosamente, pois era necessário não fazer barulho, pois se acordasse os pensionistas não saberia qual seria a reação dos mesmos e aí sim teria que chamar meu anjo da guarda que ainda estava sentado na calçada. Ingrato, não iria mais rezar para ele, estávamos com nossas relações de amizade interrompidas!
Separei uma toalha carcomida, um pequeno pedaço de sabonete e fui tomar um banho antes de deitar-me, entrei olhando para todos os lugares e abri o chuveiro e comecei a banhar-me sob grande reflexão e após cinco minutos e quando eu estava totalmente cheio de sabão pelo corpo, inesperadamente a água foi interrompida, não havia mais água no chuveiro. Novamente tive vontade de gritar para meu anjo da guarda, mas não podia dar o braço a torcer, então me enrolei na toalha e fui falar com o Administrador que a água havia acabado e ele disse com um sorriso amarelo:
- Olha amigo, a água não acabou não, esqueci de dizer pra você que todos os pensionistas têm apenas cinco minutos para tomar um banho e apenas um e se não conseguir tomar o banho neste tempo a mesma é interrompida através de um “timer” que interrompe o banho automaticamente! E eu com uma cara de espantado balancei a cabeça humildemente e fui para o meu quarto joguei-me na cama com uma vontade muito grande de chorar.
Quando já estava quase dormindo na cama, acendeu a luz do quarto e apareceu um homem magro com uma cara de zangado e parecia que estava um pouco embriagado e disse:
- Esta cama é minha, o que você está fazendo aí? E eu levantei-me espantado tentei explicar a ele que tinha sido o Administrador que tinha pedido para eu ficar com aquela cama. Ele saiu nervosamente e foi falar com o administrador e eu fiquei sentado na cama aguardando o desenrolar do acontecimento com uma cara de muito medo. Imediatamente chegou o administrador e pediu gentilmente para eu mudar de lugar e ir para um beliche, pois aquele senhor estava ausente da pensão fazia umas três semanas e ele pensou que o mesmo tinha ido embora, mas voltou.
Lentamente fui para o beliche e deitei-me com um certo receio daquele “caboclo” e não tive dúvida: Chamei meu anjo da guarda que imediatamente apareceu com um belo sorriso no rosto e disse:
- Eu sabia que você não ficaria sem minha proteção! O que está acontecendo? E eu disse:
- Pô anjo, tá acontecendo coisas incríveis, dá uma forcinha, fica comigo esta noite até passar este medo e amanhã se você quiser pode ir embora. Então meu anjo da guarda aproximou-se, deu um forte abraço em mim e disse:
- Pode dormir Luiz, que fico aqui ao lado do seu beliche protegendo você, não tenha medo!
E assim adormeci sob a proteção do meu querido anjo da guarda que nunca mais me abandonou durante alguns meses que fiquei naquela pensão e até hoje me acompanha, mas sempre de olho nas minhas atitudes e diante de qualquer deslize ele vai sentar-se na calçada novamente. Estamos nos entendendo perfeitamente depois desta lição da pensão.
12 de mar. de 2012
O LANCHE
E lá no curso primário na década de 60, a escola não fornecia absolutamente nada aos seus alunos, a não ser um estudo de qualidade com professores que adoravam lecionar e eram muitos rígidos, a palmatória já tinha sido abolida, mas lembro-me de uma professora que faço questão de não lembrar o nome, pois ela tinha um enorme anel que devia ser da formatura e era este anel que “cantava” direto na nossa cabeça quando nós cometíamos algumas travessuras. Falava um pouquinho mais alto e toma “anelsada” e de tanto bater na minha cabeça com aquele “maldito” anel consegui terminar meu curso primário com vários caroços na cabeça, mas com louvor e participando de um grupo de teatro amador da escola.
Mas de todas as lembranças que guardo até hoje era da hora do recreio, quando escutávamos o sinal anunciando o recreio, levantávamos silenciosamente, sempre de olho no imponente anel da Mestra e saíamos muito silenciosamente com nossas lancheiras.
Descia as escadas com a cabeça ardendo de tanto levar anelsada com a lancheira colada no corpo e sentava-me num
enorme banco do pátio e entre alguns olhares de amiguinhos que adoravam meu lanche e queriam trocar alguns pedaços do meu delicioso lanche.
A simplicidade de colocar alguns ovos, misturar com alguns tomates e colocar no pão fascinava-me e estava preparado meu delicioso lanche que eu tanto adorava.
Foram quatro anos do curso primário e acredito que devo ter levado pelo menos uns três dias da semana pão com ovo e tomate e um suco de laranja tipo K-Suco.
Quando mamãe estava preparando meu lanche sentia um pouco de vergonha em levar aquele lanchinho, pois meus amiguinhos levavam pão de forma, queijo, presunto e eu com aquele lanchinho, mas o mesmo era colocado na lancheira e lá ia eu para escola, afinal era o que tínhamos.
Hoje, passados cinqüenta anos, de vez em quando tento fazer este mesmo lanche pra minha netinha e ela diz:
- Nossa vovô, que delícia!
E eu morrendo de vergonha pergunto:
- Você acha gostoso?
E ela diz: - É melhor que o lanche da Padaria!
Tento explicar a ela que foi quando eu estudava no curso primário e sempre ela pede para eu fazer um lanchinho igual pra levar pra escolinha, mas não faço e digo a ela que na escola tem lanche muito melhor e ela diz:
- Não tem vovô, este lanche é o melhor lanche do Mundo!
Emociono-me e vamos para a escola com o delicioso gostinho do lanche na boca.
O tempo passou, a receita ficou: Pão com ovo e tomate! Delícia! Bela recordação dos tempos que não voltam mais, mas ainda temos ovos, tomates e pão, então vamos fazer um lanchinho? Coisa de pobre? Imagina, são recordações de momentos inesquecíveis! rsrsrsrs
MÓVEIS VELHOS
E num determinado dia não há
escapatória, há que jogar aquele móvel velho no lixo, às vezes dá uma dorzinha
no coração, não pelo valor financeiro, mas por aquele sentimento de aquele
móvel ter tanto ajudado à gente a vida toda e de repente somos obrigados a
abandonar nosso velho móvel.
Exatamente agora estou passando por
uma experiência de ter que jogar um guarda-roupa de madeira maciça que comprei
em 1.987 e vou dizer uma coisa, é muito triste dispensar um guarda- roupa que
tanto guardou minhas belas camisas e calças bem passadas pela patroa, roupas
das crianças e da patroa, mas quis assim pela ordem do cupim que o mesmo fosse
dispensado.
As lembranças de uma bela época ecoam pela minha mente e jamais pensei
que esta árdua tarefa sobraria para minha pessoa.
Lá está abandonado no portão o guarda-roupa aguardando o “Cata-Treco”
vir buscá-lo para tomar um destino ignorado e totalmente desmanchado sem poder
ter uma despedida de honra e se ele pudesse falar o diálogo seria mais ou menos
assim:
- Pô Luiz, que falta de consideração!
- Mas amigo, sinto muito em ter que
jogá-lo fora, mas você está velhinho e cheio de cupim!
- Ah, legal então quer dizer que
quando você ficar velhinho, e olha que não falta muito, iremos deixar você no
portão para o “Cata-Treco”?
- Mas eu sou humano e você é apenas
madeira!
- Qual a diferença, de onde viemos?
- Mas quanto questionamento, chega de
conversa e fica quietinho aqui que logo o “Bola Sete! Virá pegar você,
entendeu?
Abandonei o velho guarda-roupa na porta
e sai correndo para dentro de casa e sentei-me preocupadamente no sofá tentando
achar uma resposta para o mesmo sob uma forte chuva que caia lá fora.
O barulho da buzina de um caminhão, o
mesmo sendo carregado por homens fortes, a chuva caindo e eu sempre pensando
como é difícil ser abandonado na velhice, mesmo que seja um guarda-roupa.
- Obrigado guarda-roupa! Desculpe-me
ter que jogá-lo fora, pois se faz mister desocupar espaço para que as crianças
brinquem! Você entende, não é?
- Ah, claro, se é para dar espaço
para uma criança brincar eu me arranjo em qualquer lugar! Está desculpado, a
gente se vê num outro lugar, talvez num asilo! rsrsrsrs
11 de mar. de 2012
AGRADECIMENTO
Tudo começou como uma brincadeira e como gosto muito de contar algumas histórias, certo dia minha sobrinha Samantha disse: Pô tio, porque que o senhor não cria um blog e começa a contar estas histórias maravilhosas que o senhor conta pra nós.
Naquele momento não foi possível montar o blog, pois não possuía um microcomputador e ficava imaginando eu criando um blog e ter que ir até a Lan-House para postar minhas crônicas, seria muito hilário, então resolvi postergar até o dia que conseguisse comprar um Micro.
Trabalhava de porteiro num Parque Público na cidade onde moro e até que surgiu a oportunidade de comprar um micro usado da querida colega de trabalho Célia que vendeu o micro para eu pagar em três vezes. Que alegria! Só que o microcomputador sem a Internet é a mesma coisa como casamento sem lua de mel. E assim lá ficava o micro abandonado numa mesinha sem nenhuma utilidade, até que conseguimos instalar a internet e a partir deste dia nossa vida teve uma grande transformação.
Cheguei do serviço cansadíssimo e resolvi montar o tal do blog e “fuçando” daqui, “fuçando” Dalí consegui montar o blog e imediatamente postei as primeiras crônicas que já estavam escritas e a partir deste dia postava algumas crônicas sem grandes pretensões que alguém tivesse a coragem de lê-las, apenas como um arquivo para que posteriormente após minha morte, alguém pudesse ter alguma recordação deste pobre moribundo.
Mas quis o destino que algumas pessoas começaram a ler as tais crônicas e comecei a gostar de saber que existia alguém que se atravesse a perder preciosos segundos da vida em ler as minhas pífias crônicas.
Hoje, após alguns meses, consegui postar umas sessenta crônicas, muitas delas falando do meu cotidiano de agora e de tempos atrás e sinceramente não tenho muito definido quem são meus leitores, apenas sei através de alguns comentários que chegam esporadicamente que tenho alguns fiéis leitores que são meus irmãos e alguns parentes e outros que talvez leiam por ler.
Mas é muito gratificante saber que alguém em qualquer parte deste planeta de vez em quando da uma “espiada” naquilo que vivemos e estamos vivendo.
Gostaria de agradecer a todos os “Meus Leitores” de coração os acessos ao meu blog que neste mês ultrapassou os cinco mil acessos, pouco, muito pouco se compararmos com outros blogs profissionais, mas para as minhas pretensões é muito, pois sou apenas um “escrevinhador” da periferia e jamais quero lucrar com minhas pífias Historinhas, apenas que todos vocês que lêem continuem a ler, pois minha intenção é em breve editar um livro e distribuir a todos que lêem e continuam a ler o meu blog.
Obrigado leitor do meu blog lucasicom.blogspot.com, somente vocês para proporcionar grande prazer e alavancar ainda mais minha vontade de contar a cada dia que passa mais “causos” deste andante do Mundo. Um beijo enorme no coração de todos! Muito Obrigado!
6 de mar. de 2012
FESTA NO CÉU
A temperatura estava
amena, eram várias pessoas esperando a vez de ser recepcionado pelo porteiro
que tinha um semblante calmo e sereno e todos estavam felizes por estarem
naquele lugar. A cordialidade entre as pessoas que estavam na fila fazia-se
presente. Não havia pressa e todos falavam baixinho para não atrapalhar o
porteiro que parecia estar um pouco preocupado, pois naquele dia chegaram
várias pessoas e a comissão de recepção estava aguardando feliz os novos
moradores daquele local do lado de dentro sentados num banco ao redor de um
lindo gramado com flores e pássaros e após uma longa espera foi a vez daquele
senhor com um sorriso angelical no rosto, aproximou-se e cordialmente disse:
- Boa tarde, meu nome é
Agostinho Raimundo da Silva. O porteiro sorriu e disse:
- Olá Sr.Agostinho,
tudo bem com o senhor? Estávamos aguardando a sua chegada!
- Tudo bem graças ao
senhor, sabe como é né mandaram-me pra cá, mas não explicaram direito qual será
minha função neste local e gostaria de algumas explicações. E o porteiro disse:
- Pois não senhor
Agostinho, o que gostaria de saber?
- Em primeiro lugar
gostaria de saber se por aqui tem algum radinho de pilha para eu escutar meus
programas durante as madrugadas!
- Mas senhor Agostinho,
O senhor está no Céu e por aqui não temos nenhum radinho, isto é lá na terra,
por aqui estamos todos imbuídos em aguardar pessoas boas e generosas assim como
o senhor!
- Existe um bom
caminhão para eu dirigir?
- Oh, claro que não,
aqui todos andamos a pé!
- Nossa que bom, eu
adoro andar a pé!
- Mas e o pessoal que
ficou lá na terra, como farei para vê-los?
- Não se desespere tudo
tem seu tempo e em breve após algumas reuniões com seus acompanhantes que estão
aguardando pacientemente sentados naquele banquinho, o senhor receberá a resposta
desta pergunta. Está vendo?
E quando o Sr.
Agostinho ergueu a cabeça para observar quem o aguardava, recebeu alguns “tchauzinhos!
de duas pessoas que parecia familiar. Abaixou a cabeça e os olhos lacrimejaram.
E então o porteiro pediu gentilmente para ele entrar e encontrar com aquelas
duas pessoas que mostraria tudo o que deveria ser feito.
O Sr.Agostinho entrou em passos lentos
e aproximou-se das pessoas que o aguardavam e ficou surpreso quando alegremente
levantou-se um senhor calvo e caminhou na sua direção e disse:
- Agostinho! Prazer em
revê-lo irmão! Quanto tempo! E dá um abraço carinhoso no seu irmão e em seguida
chega uma senhora elegante e também o cumprimenta e diz: Poxa vida, que alegria
em recebê-lo por aqui! José da Silva e Thereza Miranda da Silva estavam
pacientemente aguardando a sua chegada.
- Como está o pessoal
lá embaixo? Quero noticias! E o Sr.Agostinho diz:
- Ah, lá embaixo está
tudo bem, agradeço de coração a todos por preocuparem-se comigo, mas sabe
quando chega à hora Não há jeito!
- Mas não se preocupe
irmão, aqui é bem melhor, afinal o clima é maravilhoso as pessoas são
selecionadas a dedo pelo querido porteiro e fique muito feliz por estar por
aqui. Em breve encontraremos pessoas que você não via há anos, lembra-se do
Ermelindo? E o Sr.Agostinho disse:
- Claro que lembro,
onde ele está?
- Logo ali adiante e logo
mais conduziremos você para encontrar com seu pai Raimundo e sua mãe Maria que
os aguardam ansiosamente.
- Nossa que bom, afinal
encontrarei com pessoas que não via fazia anos!
- Você sabia que o Céu
hoje está em festa para recepcioná-lo?
- Mas como assim?
- Ora, quando uma
pessoa muito querida vem pra cá todos nós fazemos uma festa muito grande, assim
aconteceu comigo e com a Thereza.
- Mas como é esta
festa, têm bolo, refrigerante, salgados?
- Não, imagine! É uma
festa de recepção onde todos os seus conhecidos comparecem para felicitá-lo e
saber como estão todos na Terra. Todos ficam sentados num enorme banco
conversando baixinho e sempre é muito gratificante receber pessoas assim como
você.
- Mas vamos andando que
já começaram a colocar os primeiros bancos e você estará lá na frente
respondendo todas as perguntas que os demais farão.
- Quais serão as
perguntas? Perguntou o Sr.Agostinho.
- Mas que curiosidade,
vamos aguardar porque é surpresa, mas fique tranqüilo que você ficará muito
feliz!
E assim, sentaram-se
vagarosamente em enormes bancos e ficaram calados ouvindo o cantar maravilhoso
de alguns pássaros que pousaram numa pequena árvore ao lado do banco.
Abaixaram a cabeça e
começaram a orar pelas pessoas que ficaram na Terra, enquanto aguardavam as
outras pessoas conhecidas chegarem para começar a Festa no Céu para recepcionar
o querido Senhor Agostinho Raimundo da Silva.
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