20 de set. de 2011

DOMINGO



DOMINGO

       Das recordações mais belas que ainda insistem em permanecer na minha memória são os antigos domingos passados ao lado do meu querido papai José da Silva.
       O dia de domingo era aguardado com muita ansiedade ao longo da semana e a felicidade ancorava em nossa casa logo no sábado à noite. Eu ia dormir fazendo planos mirabolantes para poder agradar papai naqueles domingos inesquecíveis.
       Acordava bem cedinho e ia comprar o jornal enquanto mamãe fazia deliciosas rabanadas e coava café que podia ser sentido o seu aroma no portão de casa.
       Quando chegava com o jornal, papai já estava em pé barbeando-se e assobiando lindas canções, entregava-lhe o jornal e dava um carinhoso beijo no seu rosto semi barbeado. Ficava eterno minutos apreciando papai barbear-se e pensando que iria fazer igualzinho a ele quando crescer.
       Não tínhamos pressa com absolutamente nada e os ponteiros do relógio cuco acompanhava nossa lentidão domingueira, entre uma mordida na rabanada e um gole de café eu era questionado sobre minha semana na escola e como sempre dizia que estava indo muito bem e que a Professora Judite era a melhor professora do mundo.
       Após tomarmos café papai convidava-me para darmos alguns chutes numa velha bola de capotão num enorme jardim existente em frente da nossa casa, ia correndo pegar a bola e segurava a mão de papai e os chutes misturavam-se com nossa felicidade.
        Almoço, macarronada preparada com muito esmero por mamãe e nossas bocas ficavam todas sujas o que me provocava muito risos.
       Após o almoço, íamos fazer nosso merecido descanso embaixo de um pé de limão, ao lado do poço existente no quintal de casa e ouvirmos nosso querido São Paulo FC enfrentar algum time qualquer. Deitávamos e ficávamos quietinhos ouvindo a transmissão pelo rádio. Cada gol marcado pelo SPFC, nossos abraços misturavam-se com muita emoção e carinho.
        O Sol ia escondendo-se mansamente e uma pontinha de tristeza misturava-se com alegria de ter passado mais um domingo ao lado do meu querido papai, mas o domingo estava acabando e era hora de prepararmos para a próxima semana e aguardar o próximo domingo.

1 de ago. de 2011

LIÇÃO DE CIDADANIA


        Num determinado domingo, eu e minha netinha acordamos cedo e estávamos nos preparando para ir comprar pão na padaria e surgiu o seguinte dialogo:
- Vovô, posso ir à padaria com o Senhor Vovô?
- Claro minha querida!
- Vou escovar meus dentinhos e pentear o cabelo e já volto, tá?
- Tá bom querida, pode ir que eu espero. Quer ajuda?
- Não vovô, pode deixar que eu faço tudo sozinha, obrigada!
- Já se preparou? Podemos ir?
- Claro que sim vovô, vamos.
       Seguimos vagarosamente de mãos dadas e quando nos aproximamos da Avenida observamos que se aproximava uma senhora puxando um lindo cachorrinho marrom e branco pela corrente. O cachorrinho cheirava o poste, dava pulinhos, rodava em torno da senhora demonstrando muita alegria e entusiasmo. Quando minha netinha avistou o cachorro ela ficou super contente e pediu para pararmos que ela precisava “dar carinho no cãozinho”, foi então que ela disse:
- Qual é o nome dele?
- O nome dele é Tob.
- Que lindo! Onde é que ele mora?
- Mora em casa, numa casinha bem bonitinha.
- Ele vai pra escolinha também?
- Não, todas as lições ele aprende comigo, em casa.
- Ele dorme cedo? Assiste o Pica-Pau?
- Sim, dorme cedo, mas não assiste o Pica-Pau.
- Deixa eu “dar carinho nele?”
- Claro querida! pode passar a mãozinha nele, olha como ele está cheirozinho!
- Que gostozinho, que lindinho!
        Passado algum instante entre o dialogo da senhora com a minha netinha, a senhora disse que precisava ir andando pois tinha que passar no Banco para retirar algum dinheiro e assim despedimo-nos alegremente.
- Tchauzinho Tob, vai com Deus, seu lindinho! Disse minha netinha.
        Ficamos observando a senhora e o Tob afastar-se vagarosamente e repentinamente o cachorrinho parou e começou a defecar na calçada, sob o olhar de admiração da minha netinha, assim que o cãozinho terminou sua tarefa, a senhora puxou-o delicadamente e foi andando, quando repentinamente minha netinha gritou perplexa com as mãozinhas no rosto:
- Nossa vovô! ela não vai pegar o Cocô do Tob?
       Rapidamente a senhora abriu a bolsa e nervosamente retirou uma sacolinha  plástica e recolheu o cocô do cachorrinho, olhando para nós com uma expressão de vergonha e retirou-se um pouco irritada.
      Passei a mão na cabeça da minha netinha e disse carinhosamente com um certo orgulho:
- Parabéns querida, você acaba de dar a sua primeira lição de cidadania.
- Obrigada Vovô, mas quem é esta “dadania”?
   Sorri largamente e atravessamos a Avenida para comprarmos pãezinhos. Não há dinheiro no mundo todo que pague um momento tão sublime como este.
   Felicidade? Ah, Existe sim e está presente nas “coisinhas” mais simples do nosso cotidiano.

30 de jul. de 2011

Histórias de Papai

                                                                                                                                                                                                                                                                              Enquanto papai não chegasse em casa não poderíamos jantar, às vezes ficava com muita raiva, devido à fome que invadia meu estômago, resignava-me num cantinho da mesa e ficava humildemente aguardando o retorno de papai e quando papai chegava em casa, levantávamos da mesa e corríamos dar um abraço e um beijo nele e pedíamos que se sentasse para jantar. Não, tínhamos que esperar papai tomar banho para iniciarmos nossa refeição. Aquele banho de papai parecia que demorava uma eternidade e meu estômago roncando, roncando. Papai sentava-se a mesa e mamãe servia-o, após servi-lo éramos servidos e começávamos a comer vagarosamente sempre observando a calma e o olhar de agradecimento de papai em tê-lo esperado para a janta.
                 Após a janta vinha a nossa recompensa, ficávamos algum tempo sentados num velho banco de madeira no quintal de casa ouvindo várias histórias maravilhosas contadas por papai. Jamais pedíamos para papai contar a mesma história e o repertório de histórias era vasto, mas a história que mais me impressionava era quando ele contava que por algum tempo tinha sido ajudante de carvoeiro no meio do mato. Seu relato, com voz pausada enfatizava as condições de precariedade existente naquela época e deixava-nos atônitos quanto a sua bravura em passar vários dias no meio do mato, entre bichos,  dormindo numa palhoça improvisada e colocando fogo em madeiras para virar carvão, ser ensacado e transportado para a cidade.
                 Sempre pedia detalhes sobre o que comiam, o que faziam enquanto as madeiras eram queimadas, como eles comportavam-se diante de noites chuvosas, temperaturas baixas, saudades da família. Imaginava-me no meio do mato ajudando meu avô, todo sujo de carvão  e correndo atrás de passarinhos, borboletas e a noite ouvindo o piar de corujas, pássaros estranhos e outros animais como onça, tatu, lagarto.
               Nas noites de lua cheia as histórias ficavam mais emocionantes, pois a descrição era ilustrada com algumas mulas sem cabeça, saci pererê, curupira entre outros da nossa lenda e folclore tanto comentados pelos nossos antepassados.
              Lá pelas nove horas da noite, era hora de entrar e recolhermos para nossas camas e controlarmos nossos medos e aflições, fechar os olhos e ficar torcendo para a noite passar logo e chegar outro dia a noite para escutarmos mais histórias fantásticas. Então papai apagava a luz do lampião, dava um beijo na face de cada um de nós e recolhia-se para o seu quarto. Sempre ouvia papai conversar algumas palavras com mamãe e depois tudo se fazia silêncio, ouvíamos apenas o som de grilos e sapos que habitavam ao redor da nossa casa.Era hora de sonhar...

25 de jul. de 2011

CARTA DA NETINHA PARA O VOVÔ

Querido Vovô, 

                Já faz tempo que ando querendo escrever uma cartinha para o senhor, mas o meu “tempinho” com brincadeiras tem impedido esta árdua tarefa. Mas hoje me sobrou um tempinho e decidi escrever algumas palavras do meu pequeno vocabulário, muito ensinado pelo senhor, por mamãe, por titio e pelas tias da escolinha que tanto amo para dizer o que meu coraçãozinho anda muito feliz pela sua presença entre nós.
                 Não se assuste com algumas verdades e outras “mentirinhas” bem características da gente que tem apenas três aninhos. Tenho notado seu esforço em tentar educar-me da sua maneira um pouco arcaica, mas tenho prestado muita atenção e sinto que o Sr.procura orientar-me meigamente e a sua paciência é realmente surpreendente.
                Não fique zangado comigo não, quando derrubo comida no chão, pois como o Senhor sabe minha coordenação motora ainda não é muito boa assim como vocês adultos.
               Obrigada por deixar-me pular alegremente sobre a cama da mamãe e ainda o Senhor dizer que assim que ela chegar é para eu parar, tenho tentado parar, mas...como o Senhor sabe, às vezes fico muito empolgada e mamãe dá algumas broncas e vejo que o Senhor Sorri marotamente. Isto me faz muito feliz!
               Adoro esconder-me embaixo da cama e sempre dizem que tem “bicho”, que o chão está frio, sujo, mas eu não me importo, se o Senhor Soubesse como é gostoso observar o pés de vocês aqui debaixo! é outro ângulo do mundo. Nossa, como vocês andam nervosos comigo! só  porque outro dia fiquei comendo deliciosamente um Danone e refletindo sobre meu mundinho, deixei derramar apenas um pouquinho no chão, afinal não existe iluminação neste espaço.
              Agora uma das “coisas” que mais adoro é quando o Senhor leva-me para dormir, cobre-me cuidadosamente com o meu cobertorzinho branco e começa a contar histórias fantásticas usando e abusando de onomatopéias nunca escutadas em toda minha vida, fico prestando uma atenção até chegar o final da história e quando a mesma termina sempre peço a continuação e o Senhor Diz: Não, agora vamos dormir meu anjinho que amanhã conto a continuação da história. Poxa, que tristeza ter que dormir e não ouvir a continuação!
              Quando escuto sua voz ao longe já estou quase dormindo, fecho e abro os olhos e viro-me para o lado e lembro-me que temos que rezar, aí rezamos o “Pai Nosso” que o Senhor ensinou-me e pedimos ao Papai do Céu que nos abençoe, termino as últimas palavras já sonhando com os anjinhos.
               Mas o que realmente faz-me muito feliz é quando vamos ao Parque de Diversão. O Senhor não imagina a minha alegria em poder andar de bicicleta, ir observando árvores, flores, casas e cantando algumas músicas tão estranhas, que é da sua época, mas canto-as, ou tento cantá-las. Sempre levamos brinquedos para brincar na areia e a sua disposição em sentar-se comigo e fazer lindos castelos que às vezes eu os desmancho e o Senhor fica um pouquinho zangado, mas não liga não vovô, isto é apenas para o Senhor construir outro e podermos ficar um pouquinho mais construindo castelos neste nosso mundinho de sonhos misturados com sua realidade.
             São tantas coisinhas a ser faladas que me faltam palavras, mas o que quero grafar e dizer de coração é que amo o Senhor mais que o resto do mundo! Obrigado por existir e fazer-me muito feliz. Um beijinho! Eu te amo! Conta outra “históinha?”

15 de jul. de 2011

UTOPIA

       Como posso querer paz se já trabalhei numa indústria bélica? Como posso querer amor se já odiei? Como posso querer viver já desejei morrer?
        Mas ainda acalento um desejo veemente de ver este mundo sem pobres, sem miseráveis, sem fome, sem guerra, sem catástrofes, de crianças felizes com pais presentes e avôs amáveis. De pessoas felizes em estar por aqui.
        Sei que é utopia, é um sonho de ver este mundo feliz, mas façamos nossa parte esparramando amor e a cada dia plantando no nosso coração uma sementinha criança de esperança em sermos exemplos e podermos dizer: Nós somos o mundo, vamos viver da melhor maneira possível e....
Não haverá saída... seremos felizes..não há dúvida!

14 de jul. de 2011

VIDIOBEL - NOSSA PRIMEIRA TV


         1.968 foi o ano que adquirimos nosso primeiro aparelho de TV da loja do turco da Praça Ana das Dores, no bairro Cidade A.E. Carvalho, em São Paulo. Até então não tínhamos TV e sempre assistíamos na casa da vizinha. Realmente não tínhamos uma vida muito agradável, pois era muito constrangedor pedir humildemente para a vizinha se poderia assistir a TV, às vezes a gente disfarçava e levava um pedaço de bolo pra vizinha e por lá mesmo a gente ficava sentado num canto do sofá assistindo desenhos até começar a novela e então mamãe gritava do outro lado da rua, era hora de entrar e abandonar a televizinha.
Quando mamãe anunciou que tinha comprado uma TV, nós crianças ficamos muito eufóricos e não víamos a hora da mesma chegar.
O caminhãozinho estacionou em frente de casa e perguntaram se era ali que morava mamãe, Nós, alegres mostramos o caminho e os dois carregadores/montadores pegaram aquela caixa enorme e depositaram cuidadosamente na sala de casa. Imediatamente após mamãe assinar alguns papéis os homens começaram a montar a TV.
Não havia espaço para tanta alegria entre nós e acompanhávamos cada peça retirada da caixa com muita atenção e sempre perguntando se haveria a possibilidade de assistirmos a TV naquele dia e os montadores diziam que dependia muito do nosso comportamento, se ficássemos quietinhos seria possível, senão não seria possível. Houve um silêncio sepulcral entre nós até a TV ser ligada e aparecer a primeira imagem de uma propaganda da Sheel (gasolina), não houve como segurar nossa explosão de felicidade e abraçamo-nos e demos vários gritos de alegria e independência da TV da vizinha. Não haveria mais sofrimento, mamãe nunca mais iria nos chamar no melhor momento do desenho. Muita alegria!
Eu tinha e ainda tenho uma relação dos melhores momentos da minha vida e este está relacionado entre os primeiros.
Naquele dia ficamos até tarde assistindo a TV até papai chegar do serviço e ficar encantado com a TV. Mamãe sentou-se num canto do sofá e sorria com ar de muita satisfação.
Após alguns dias que a TV estava em casa, já estava muito bem definido nossos programas favoritos. Eu adorava assistir luta livre, minhas irmãs deliciavam com pífias novelas e foi numa destas disputas por canal que minha irmã Suely arremessou um tamanco de madeira contra a minha pessoa e acabou acertando a lateral da nossa TV. Colocamos a mãos na cabeça e decidimos não falar nada para mamãe, até o dia que ela descobriu e aplicou uma memorável surra de vara de marmelo.
Passados alguns dias mamãe comprou na lojinha da Dona Matilde um plástico que simulava as cores da TV, o plástico tinha três cores: na parte superior era azul, simulando o céu, na parte do meio era verde que dava a impressão que era a mata e na parte inferior era cinza claro simulando a terra, o solo. E assim nossos programas tinham mais vida e éramos muito felizes.
Foram vários os programas favoritos e que marcaram profundamente nossa vida naquela época, lembro-me de alguns como: Festival de música da Record, Programa de Luta Livre e Ted Boy Marino era nosso herói, a novela Irmões Coragem, um desenho japonês chamado Nacional Kid, Corrida Maluca, Silvio Santos, O Vigilante Rodoviário com seu querido e amado cão chamado Lobo, Viagem ao fundo do mar, Perdidos no espaço com o amável e ingênuo Dr. Smith, Pernalonga, A praça é Nossa, O Zorro, Lessie, A Feiticeira, Os três Patetas, O gordo e o Magro entre outras jóias raras que minha mente não alcança mais.
Maravilhosa TV Vidiobel que tanto nos proporcionou alegrias e momentos inesquecíveis e encantadores!

13 de jul. de 2011

SOLIDÃO E LEITURA


       Após breve estadia na casa da minha tia em Guarulhos, no ano de 2.000, segui meu caminho por quartos de cortiços e pensões escuras, vivendo miseravelmente e comendo em restaurantes de Hum Real, longe da maravilhosa tecnologia, sem recursos financeiros para comprar um simples livro num sebo da vida e para fugir um pouco da realidade do cotidiano comecei a ler desesperadamente tentando achar algum lugar no mundo, nos castelos medievais, na linda cidade de Macondo do livro  "Cem anos de Solidão" de Gabriel Garcia Marques ou talvez acompanhar nosso herói Dom Quixote ou  morar na pensão onde morava Clarissa de Érico Veríssimo.
Foram vários livros lidos e inúmeras visitas a biblioteca do Seródio. Lia todos os dias aproximadamente umas oito horas, sempre à noite, quando chegava do serviço ficava até as seis horas da manhã lendo, lendo e lendo.
         Eu estava vivendo de um sonho, o sonho da leitura e da maravilhosa literatura, quanto mais eu lia mais queria ler e assim conheci um pouco da obra e vida do nosso maior escritor brasileiro Machado de Assis. Sentia-me oprimido diante de tantas crônicas maravilhosas, tantos escritores sapientíssimos e resolvi avançar um pouco mais e comecei a ler grandes clássicos da literatura universal até que um livro mudou minha vida e minha maneira de pensar sobre tudo e sobre todos.
          Num determinado dia minha filha chegou em casa e disse que tinha uma ótima dica de leitura passada por professores da faculdade e indicou-me “Os miseráveis” de Victor Hugo. Comecei a ler o livro e fiquei apaixonado pela leitura e quanto mais lia, mais emotivo ficava, cheguei a alguns momentos a chorar e só ai percebi o tanto quanto um livro pode emocionar um leitor. Terminei a leitura dos Miseráveis e senti-me preparado para começar a escrever alguns pífios textos e sempre escrevia e guardava-os, com receio que alguém visse e pudesse apontar algum erro de português.
          A ousadia fez-me conhecer um pouco da obra de Fiodor Dostoiéviski, autor russo, o Machado de Assis dos Russos, simplesmente maravilhosas as obras. Mas...infelizmente comecei a ler um pouco tarde, somente aos quarenta anos de idade, se soubesse o prazer que uma leitura proporciona começaria a ler livros quando criança, bem criança, mas como diz o “ditado popular” antes tarde do que nunca, começamos, agora o difícil é parar. Cada dia que passa sinto uma necessidade enorme de escrever algo e ler um pouquinho mais.  Enquanto conseguir mover os dedos e enxergar seguirei escrevendo sobre emoções vividas e fatos passados e sempre acompanhando a evolução educacional da minha netinha, pois em breve será ela que lerá pra mim e eu ditarei algumas poucas crônicas perdidas no fundo dos poucos neurônios carcomidos pelo tempo e pela vida. Fechar os olhos e poder dizer com dignidade: Valeu a pena viver...e ler...e escrever. “Tá escrito” leiam! O quê?