CHURRASCO
A fumaça sobe e mistura-se com a alegria estampada no rosto de cada “churrascante”. Passados alguns minutos, ouvem-se alguns estalos do carvão começando a pegar fogo e algumas latas de cerveja sendo abertas. O cheiro delicioso de carne sendo assada é sentido a vários metros de distância.
O clima é de festa e confraternização, abraços efusivos e comprimentos inconseqüentes são notados, ouve-se um grito de felicidade pela presença de um amigo chegando e trazendo um apetite invejável. Alguns se sentam ao redor da churrasqueira e ficam conversando sobre o cotidiano, mas invariavelmente o assunto gira em torno das últimas noticias da mídia, mulheres, futebol e alguns mais atrevidos falam sobre política. Quando trazem crianças e mulheres, nota-se que em pouco tempo as “rodinhas” de crianças e mulheres já estão formadas e só chegam perto da churrasqueira quando sentem fome e pedem com uma cara de piedade um pedaço de carne.
O churrasco é um estado de espírito, há que estar com a alma tranquila, um astral elevadíssimo e vontade de viver, viver intensamente, esquecendo as cizânias da semana, a cara do chefe, a nota baixa na escola, os engarrafamentos, as dívidas, os carnês, enfim é deixar levar-se por aquele momento sublime e inesquecível. Viver é preciso!
Os melhores churrascos são aqueles que não são programados, reúnem-se numa porta do bar, da escola, da faculdade, ou qualquer outro lugar, passam num açougue, compra-se a carne, carvão, sal grosso e cervejas e acendem a churrasqueira com ar de vitória. Quantos desses já participei! Foram vários.
Há os churrascos que somos convidados e às vezes nos arrependemos de ter saído de casa, pois são específicos para uma determinada categoria de profissão. Aí falam sobre cirurgia, plástica, medicamentos. Foi num desses que eu participei e o pessoal, a maioria médicos e enfermeiras falando sobre operações, cirurgias, etc. dá vontade de sair correndo e comer um churrasquinho do tiozinho da esquina e falar sobre qualquer assunto, menos ferimentos, braço quebrado, etc. mas, passou, passou e deixa o carvão queimar que tem muita conversa para expandir a alma .
Após várias rodadas de carne assada, alguns sentem-se no dever de armar uma boa rodada de truco, aí quem tem mulher é devidamente odiado quando senta-se a mesa para participar, podem esquecer que irão pedir para comprar mais carne e mais cervejas e jamais sairão antes da meia-noite da mesa. Coitado do churrasqueiro, isto quando a carne fica lá esturricando, abandonada e o grau etílico misturado com a emoção do jogo fazem da carne uma mera coadjuvante do cenário.
Churrascada assistindo uma emocionante partida de futebol também é bem “legal”, às vezes sai cada discussão que dá até medo, mas no final tudo termina bem.
Nós brasileiros adoramos fazer churrasco, principalmente quando conseguimos reunir toda nossa família e lá ficarmos conversando despreocupadamente sobre tudo e sobre o nada, aí estamos carregando nossas energias para mais uma semana de dura baralha pela sobrevivência. Viva o Churrasco que tanto amamos! Vamos fazer um churrasco?



Nestes momentos tentava aproveitar cada segundo ao lado de papai da melhor maneira possível, quando jogávamos bola, adorava driblar papai, pois minha mobilidade corporal às vezes deixava papai na grama, ele levantava-se vagarosamente, sempre com um sorriso de satisfação e eu pulava nas suas costas simulando um cavalo, após simular alguns trotes, jogava-me no chão e dava um chute forte na bola e pedia carinhosamente para eu ir buscar a bola, este era o momento de papai tomar algum ar, recuperar o fôlego e convidar-me para irmos embora para casa. Meu semblante franzia-se e meu olhar de frustração aparecia ao lado de um balanço de cabeça, mas sempre obedeciam às ordens de papai, pulava no seu colo e dava-lhe um beijo carinhoso no seu rosto e saíamos em direção ao nosso lar. 



